O suicídio está perto, muito perto

Uma pessoa se mata a cada hora no Brasil. Podem ser adultos ou jovens sem motivo aparente. Setembro é o mês da prevenção do suicídio

Setembro é o mês em que ocorre a campanha de prevenção ao suicídio, o Setembro Amarelo, que tem como data internacional o dia 10, este sábado.

Entidades ligadas à saúde mental de todo o mundo se mobilizam para alertar sobre este tema, que é desagradável, indigesto, causa medo e rejeição. Principalmente porque a grande maioria das pessoas pensa que se trata de um problema distante, “dos outros”.

Mas não é, ou talvez não seja: o risco de suicídio pode estar mais perto do que se imagina.

Não apenas porque os números a respeito são assustadores: segundo a Organização Mundial de Saúde, 800 mil pessoas cometem suicídio todos os anos no mundo. No Brasil, este número chega a 12 mil; ou seja, mais de 30 pessoas por dia tiram sua própria vida. Uma a cada hora…

E as estatísticas não computam aqueles que de fato tentaram se matar e, por um motivo ou por outro, não conseguiram. O que quer dizer que trata-se de um problemaço, que destrói uma infinidade de famílias.

A literatura médica dá conta de que os casos de suicídio, ou tentativa de, estão em sua maioria relacionados a transtornos mentais como depressão ou transtorno bipolar, o que pode levar a se pensar somente em adultos doentes.

Só que não.

Cresce e muito, aqui e lá fora, o número de casos de jovens que tentam se matar – e muitas vezes conseguem.

Em menos de um ano, por exemplo, eu soube de três casos bem próximos de adolescentes que tentaram dar cabo à própria vida.

Todos de famílias super ok, pais carinhosos e atenciosos, nenhum problema aparente, a não ser os do dia-a-dia.

Mas na cabeça destes jovens – de 13, 15 e 18 anos – os dramas eram muitos e, para chegar aonde eles chegaram, insuportáveis.

Felizmente nenhum dos três – saudáveis, bonitos, inteligentes – conseguiu seu intento, mas o estrago emocional na família e, novamente, na cabeça destas quase crianças estava feito.

Assim como em adultos a origem pode ser a depressão ou desequilíbrios emocionais de outra natureza, os mais jovens revelam solidão, rejeição ao próprio corpo, falta de atenção da família – que pode ser real ou imaginária – como a causa do desespero.

Neste último aspecto se encontra o “X” da questão: seja qual for o motivo, a imaginação juvenil é terreno fértil para fantasias fatalistas.

Por isso é importantíssimo que os mais próximos estejam muito atentos aos sinais que estes jovens aparentemente normais emitem.

Não é porque seu filho ou filha não bebe, não fuma ou não usa drogas – preocupações básicas nas quais os genitores sempre focam sua atenção – que algo não esteja fora do lugar para ele.

Daí que informação, diálogo e afeto tornam-se ferramentas essenciais nesta fase da vida em que tudo pode acontecer – inclusive o pior.

Durante este Setembro Amarelo há campanhas de esclarecimentos em curso, se você quiser se informar melhor sobre o tema duas dicas são os sites do CVV – Centro de Valorização da Vida (www.cvv.org.br) e o da Associação Brasileira de Psiquiatria (www.abp.org.br).