Por que é difícil ser bom?

 

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Você é uma pessoa boa? Você já tentou ser uma pessoa boa – consigo mesmo, com seus familiares, com seus amigos, os funcionários de seu prédio ou casa, colegas de trabalho, com desconhecidos – e encontrou uma tremenda dificuldade para alcançar seu objetivo?

Bem, pelo menos saiba que você na está sozinho, mesmo que sua decisão de ser bom tenha sido tomada por culpa, por causa de alguma perda que o despertou para a bondade, por inspiração divina, o que seja.

Ser bom hoje em dia é de fato muito difícil.

Um dos objetivos deste blog é, entre outros, vasculhar o mundo virtual em busca de vida inteligente. É por conta disso que estou sempre de olho no excelente site Nexo (www.nexojornal.com.br/), e foi por intermédio dele que cheguei ao britânico The School of Life, um portal devotado ao desenvolvimento da inteligência emocional por meio da cultura. Escarafunchando no site, dei com um escaninho dedicado a publicações (livros e artigos) e de apoio a autores independentes, The Book of Life, que abre uma porta generosa para o horizonte do autoconhecimento.

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E foi justamente num dos textos ali publicados que encontrei essa abordagem no mínimo exótica da bondade, algo cuja prática seria tão difícil como manter-se em forma ou ter uma vida saudável.

Primeiro porque a ideia de “ser uma pessoa boa”, na sociedade moderna, é frequentemente associada a conceitos em geral negativos, como: ser solene (arrogante?), piedoso (sente peninha, é?), sangue frio (para suportar os demais humanos?), tolo (por perder seu tempo com os outros?) ou até mesmo alguém que não “liga para sexo” (para ostentar pureza?).

O fato é que tornou-se mais fácil, mais aceito socialmente ser “mau”.

Você já percebeu, claro, que muitos valorizam quem quer levar vantagem em tudo, aquele que atropela quem estiver entre ele e seu objetivo, o não estar nem aí para o sofrimento alheio e tratar a ética e a justiça como conceitos abstratos/obsoletos esquecidos no banco da escola, certo?

Felizmente não é todo mundo que pensa dessa maneira, que são adeptos desses conceitos sacramentados pela hipercompetitividade e em linha com a tal da meritocracia e outras armadilhas do capitalismo; há sim um número cada vez mais expressivo de pessoas em busca de uma vida melhor por meio de sentimentos e ações que as faça crescer como indivíduos. Como a bondade.

Mas isso dá um trabalho!

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Porque para ser bom no sentido de buscar ser uma pessoa melhor exige, além de tudo, aprendizado – ah, que saudades de Jean-Jacques Rousseau, para quem o homem nasce essencialmente bom…

Mas o conceito de “homem bom” ou “pessoa boa” é tão amplo quanto contraditório. No Brasil colônia, por exemplo, serviu para identificar poderosos da época, brancos, ricos e religiosos, a serviço da coroa para perpetuar o poder imperial sobre os colonizados, subjulgando-os.

No catolicismo, o homem bom é o homem de Deus, e quantas atrocidades já foram cometidas em seu nome?

Isso sem falar no super-homem de Nietzsche, aquele ser superior, o modelo ideal, desenvolvido e forte, que se sobrepunha a toda a humanidade – mas isso já é outra história.

Para nossa história aqui, que trata do trabalho que dá tornar-se uma boa pessoa, reproduzo abaixo o decálogo elaborado pelo Book of Life com os predicados a serem perseguidos por aquela gente bacana que queira, de fato, tornar-se uma pessoa melhor.

 

Quem se habilita?

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Resiliência – Siga em frente mesmo quando as coisas parecerem sinistras. Aceite que os contratempos são normais e que a natureza humana é, no final das contas, rude. Não assuste os outros com seus medos.

Empatia – Tenha a capacidade de se conectar imaginativamente com o sofrimento e as experiências particulares de outras pessoas. Tenha coragem de se ver no outro e olhar para trás com honestidade.

Paciência – A gente perde a paciência porque gostaria que as coisas fossem perfeitas. Nós avançamos tanto em certas coisas (colocamos o homem na Lua!), mas ainda não temos habilidade de lidar com as coisas que insistem em dar errado – trânsito, governo, outras pessoas. Devemos ser mais realistas sobre como as coisas realmente acontecem.

Sacrifício – Nós temos dificuldade de identificar nossas próprias qualidades. Mas temos a habilidade miraculosa de, ocasionalmente, renunciar às nossas satisfações em nome de alguém ou alguma coisa. Nós não salvaremos o planeta se não dominarmos a arte do sacrifício.

Cortesia – Seja tolerante e tenha a capacidade de viver junto àqueles com os quais você nunca vai concordar, mas a quem não pode evitar.

Humor – Ver o lado divertido das coisas e de você mesmo não soa muito bem, mas isto é sabedoria, porque você consegue trafegar entre o que você quer que aconteça e o que a vida lhe dá, o que nós sonhamos ser e o que na verdade somos, o que esperamos das outras pessoas e o que na verdade elas são. Como a raiva, o humor nasce do desapontamento, mas é canalizado de forma positiva. Isso é uma das melhores coisas que se pode fazer com a nossa tristeza.

Auto-conhecimento – Conhecer a si mesmo é não culpar os outros pelos seus problemas. É saber distinguir o que está acontecendo dentro de você e o que na verdade pertence ao mundo.

Perdão – É preciso reconhecer que viver com os outros é impossível se você não conseguir desculpar seus erros.

Esperança – O mundo é hoje somente uma pálida sombra do que poderá ser um dia, estamos apenas no comecinho da história. Conforme você vai ficando velho, coisas que na adolescências eram interessantes e desafiadoras tornam-se desesperadoras. O pessimismo não é necessariamente profundo nem o otimismo, superficial.

Confiança – Grandes projetos podem morrer por razões que a gente não teve a coragem de enfrentar. Confidência não é arrogância, está baseada numa constante consciência de como a vida é curta e do pouco que se pode perder quando se arrisca muito.

 

 

 

 

 

 

 

 

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