Depressão e ansiedade, modo de usar com os outros

Nuvem

Qualquer pessoa que teve um episódio de depressão / ansiedade ou que convive com estes transtornos sabe: uma das coisas mais difíceis na vida da pessoa deprimida e/ou ansiosa é a convivência. Sobretudo a convivência com quem não entende, não faz nem um esforço para entender ou simplesmente se recusa a entender porque fulano ou fulana está daquele jeito.

É duro ouvir de parentes, amigos, gente que nos ama e que amamos ou apenas colegas de trabalho coisas do tipo: como ficar triste dentro de casa num dia tão lindo! Você tem a vida ganha, está ansioso com quê? Faz o seguinte: vai para rua, divirta-se e encontre pessoas que a tristeza vai embora! Putz, você tem que parar de tomar estes remédios de tarja preta, tente se acalmar que você melhora?

Hã hã!

Para quem está do lado de fora das nossas cabeças quando elas ficam destrambelhadas, tudo parece estranho e fácil: estranho de entender, fácil de resolver.

Não é nem uma coisa nem outra, mas o “mundo” em geral não entende. Pior: cabe justamente ao deprimido, ao ansioso, ao bipolar e afins tentar fazer com que pelo menos o deixem em paz. O que obviamente é também muito difícil.

Por isso, quando encontramos alguém que realmente está aberto a entender, disposto a ajudar e com a generosidade e paciência necessárias, que alívio!

Porque é muito difícil se comunicar adequadamente quando se trata do que estamos sentindo, e quando o que estamos sentindo não está de acordo com os padrões de comportamento dos viventes em geral.

Por conta disso, a norte-americana Haley French, ela também portadora de ansiedade crônica, alinhavou alguns sentimentos, contextos e explicações que podem ajudar, com amor e tolerância, tanto quem está do lado de dentro quanto do lado dessas tais cabecinhas ensandecidas. Ei-los:

 

“Às vezes não consigo encontrar uma explicação para sentir o que sinto.

Há momentos em que a minha ansiedade e depressão agem e eu não sei porquê. Infelizmente a minha doença não veio com um manual de instruções.

Se você ficar perguntando o tempo todo se eu estou ok, eu posso acabar me sentindo pior ainda. O constante questionamento pode me fazer entrar em pânico por não saber se estou agindo certo ou errado.

Quando eu começo a entrar em um episódio depressivo ou minha ansiedade dispara, eu tento me isolar. Eu me escondo no quarto ou fico um tempão fora da casa para tentar ficar longe das pessoas. Ficar sozinha nestes momentos significa mais para mim do que você jamais poderia saber.

Alguns dias é realmente impossível para mim sair da cama. Esta é uma coisa particularmente difícil para algumas pessoas entenderem. Sempre que fico na cama evitando minhas responsabilidades, eu gostaria de ser produtiva, mas me sinto paralisada. Não estou sendo preguiçosa ou querendo procrastinar, apenas não consigo fazer nada naquele momento.

Se eu não quero falar com ninguém, não tome isso como algo pessoal. Se eu digo “não” ao seu convite para sair ou não respondo a sua mensagem, não é que eu não quero te ver ou falar com você, mas às vezes eu não me sinto bem para falar com ninguém. Eu só preciso de algum tempo para resolver o que está acontecendo dentro da minha cabeça. Ir ao cinema ou trocar mensagens sobre o mais recente episódio de “The Game of Trones” me faz sentir como alguém que nunca vai conseguir sair de seu próprio cérebro.

Eu ainda me importo com você, provavelmente mais do que eu me importo comigo mesma. Quando eu realmente começar a te evitar, seja pelo tempo que for, não é porque você fez algo de errado. Eu me sinto como se você estivesse melhor sem mim, eu começo a pensar que sua vida será mais feliz sem que eu esteja nela.

Há dias em que me sinto completamente insensível às minhas próprias emoções. Se eu pareço um zumbi, é provavelmente isso o que eu sinto. Às vezes todas as minhas emoções parecem distantes para mim. Eu sei o que eu deveria estar sentindo, mas eu não consigo entender o sentimento em si. Como eu sei que você não vai entender isso, eu aprendi a agir como se eu estivesse sentindo a emoção que você espera de mim.

Há dias em que me enfrento muitas emoções ao mesmo tempo. Oposto ao não sentir nada, às vezes eu me sinto totalmente demais. Isto pode se manifestar de várias maneiras, posso estar triste, animada, irritada, esperançosa, desesperada, amor e ódio ao mesmo tempo. Então, se eu parecer que eu estou pulando de uma emoção para outra de forma extremamente rápida é porque eu estou tentando, sem conseguir, segurar uma emoção de cada vez.

Eu estou realmente tentando me sentir melhor. Eu não gosto de me sentir assim e eu nunca iria optar por ter uma doença mental. Mesmo que nem sempre indique isso, tudo o que faço é uma tentativa de me sentir melhor. Mesmo que seja algo que parece autodestrutivo, no momento eu sinto que isso vai me fazer sentir melhor.

Eu realmente agradeço tudo que você faz para mim. Eu sei que cuidar de alguém com uma doença mental é difícil, que tirar alguém de um episódio de depressão ou ansiedade é muito desgastante. Eu nunca vou ser capaz de expressar o quanto seu apoio significa para mim, seu apoio é o que faz meu problema suportável, e eu não posso expressar o quanto eu te amo por isso.”

 

 

 

 

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2 pensamentos em “Depressão e ansiedade, modo de usar com os outros”

  1. Fiquei dias e dias pensando no que escrever. Li e reli e li mais uma vez.
    E respondo com uma frase escrita por vc mesmo, Caversan:

    “Às vezes não consigo encontrar uma explicação para sentir o que sinto.”

    LOVE
    G

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